Desobedoc 2016

O Desobedoc está de volta. Na mesma cidade, mas noutra sala: o Cinema Batalha.

Nos últimos dois anos, abrimos por alguns dias um cinema abandonado: o Trindade. A experiência foi boa e provou que há gente para ocupar estes espaços em permanência: o Trindade vai reabrir como cinema. Este ano, vamos no Batalha.

O Porto tem uma relação íntima com a história do Cinema Português. Aqui se começou a fazer cinema, são daqui grandes realizadores, aqui nasceram salas de cinema que viriam a constituir-se como património e imaginário da cidade. Aqui se consolidou um espírito rebelde e desobediente que associou cinefilia e intervenção cidadã, resistindo à ditadura do Estado Novo e permitindo a participação criativa na busca de novos rumos para o cinema português.

O Desobedoc retoma e celebra esse espírito. Numa Europa em agonia, num país onde se procura reconstruir a esperança, numa cidade engalanada para os turistas mas que continua a expulsar os mais pobres do centro, esta mostra é um ato de persistência e de solidariedade. Por aqui passarão filmes sobre alguns dos temas que nos inquietam: as migrações e os refugiados que o velho continente condena à morte e à humilhação; o direito à cidade e à habitação; o trabalho e o emprego; a igualdade e as conquistas que desafiam o patriarcado. Teremos algumas estreias locais, nacionais e internacionais, com metade da programação em português. Teremos clássicos do cinema e filmes de hoje. Teremos exposições e instalações. E festas para celebrarmos o prazer de estarmos juntos.

Nesta mostra de 3 dias de cinema documental, vamos exercer mais uma vez o direito à memória e à imaginação. Num país onde o Ministério da Cultura é quase uma inexistência, numa cidade que todos os dias vê tanta gente partir, abrir por três dias o Cinema Batalha, que tem estado votado ao abandono, é em si mesmo um ato de resistência. Estão por isso convidados a ser cúmplices de mais um Desobedoc. Como sempre, a entrada é livre e o espírito insubmisso.

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