Desobedoc 2015

Mais uma vez, o Porto acolhe, nos dias da revolução, o Desobedoc.

Esta cidade tem uma relação íntima com a história do Cinema Português. Foi aqui que se começou a fazer cinema. São do Porto grandes cineastas, como Manoel de Oliveira, que filmou no Porto a sua primeira longa-metragem, Aniki-Bobó. Aqui se levou a cabo a primeira experiência de uma produção que se pretendeu de escala semelhante à de alguns dos principais estúdios europeus dos anos 20. Aqui nasceram salas de cinema que viriam a constituir-se como património e imaginário da cidade. Aqui se consolidou um espírito rebelde e desobediente, o qual, associando a cinefilia à intervenção cidadã, não só contribuiu para a resistência à ditadura do Estado Novo, mas também permitiu a participação criativa na busca de novos rumos para o cinema português.

O Desobedoc retoma e celebra esse espírito. Numa Europa dominada pela austeridade, esta mostra é um ato de rebeldia, de persistência e de solidariedade em tempos de crise. Por aqui passarão lembranças do processo revolucionário português cujos 40 anos festejamos, bem como documentários sobre o atual ciclo de mobilizações sociais. Teremos uma homenagem a Manoel de Oliveira. Haverá algumas estreias nacionais e internacionais. Teremos clássicos do cinema rebelde e filmes de hoje, sobre a realidade da nossa cidade, do nosso país, mas também da Grécia, da Espanha ou da Palestina. E teremos filmes de animação.

Nesta mostra de 3 dias de cinema documental, vamos exercer mais uma vez o direito à memória e à imaginação. Num país onde não existe Ministério da Cultura, numa cidade que todos os dias vê tanta gente partir, voltar a abrir o Trindade por três dias é, em si mesmo, um ato de resistência. Estão por isso convidados a ser cúmplices. Como sempre, a entrada é livre e o espírito insubmisso.