O MEU BAIRRO A MINHA CIDADE, de Ana Garcia e Inês Santos Moura

1 Maio, 12h, Sala Bébé, com as realizadoras Ana Garcia e Inês Santos Moura
Portugal, 2016, 14 minutos, documentário

Ana Garcia e Inês Santos Moura

Com a presença das realizadoras

À luz da educação para a liberdade, para a criatividade e para o exercício da participação cidadã, foi desenvolvido um projeto de investigação-ação participativa com um grupo de crianças do Bairro de São Tomé, no Porto, na perspetiva de lhes dar protagonismo, voz e visibilidade social. O grupo apropriou-se de recursos audiovisuais para se expressar coletivamente e para retratar a realidade social do Bairro onde vivem. A concretização de uma Manifestação pública das crianças teve como objetivo conscientizar a comunidade para a importância da cidadania na infância, do direito de participação das crianças nas decisões que as envolvem e na apresentação de propostas de melhoria do meio onde vivem – o seu Bairro, a sua Cidade.

Anúncios

SESSÃO CURTAS -Trabalho

1 Maio, 17h30, Sala Bébé, com Adriana Melo, Adriano Campos e Maria Manuel Rola
Sessão de Curtas, 85 minutos

VESTÍGIOS,  de Adriana Melo

Portugal, 2015, 30’, documentário experimental

Desenvolvido a partir de fotografias de arquivo guardadas pelos locais de Arouca, Vestígios pretende dar a conhecer este concelho, num contexto atemporal, ao mesmo tempo que é salientada a importância da fotografia como documento. Não existe muita documentação visual sobre Arouca, sendo a memória mantida apenas através da tradição e da oralidade. As imagens antigas, quase esquecidas, são trazidas de novo à vida, revalorizadas num novo contexto. A memória oral e a tradição são também integradas no projeto através do som, que contribui para uma nova visão das imagens. Ao refotografar imagens de arquivo amadoras guardadas pelos locais elogia-se o facto da memória ser mantida viva através da tradição.
Como contraponto, surge o vazio, o esquecimento, a consequência da falta de preservação de um passado quase esquecido. As ruínas das antigas minas de volfrâmio surgem como um aviso para o futuro, relembrando como o passado pode ser esquecido.

PESSOA COISA CIDADE TORRE , de Paula Sacchetta, Pedro Nogueira e Peu Robles

Brasil, 2015, 21’, documentário

Durante os fins de semana, em São Paulo, trabalhadores e trabalhadoras deslocam-se de suas casas, seja nas periferias, albergues ou ocupações onde vivem e desembarcam nas áreas ricas da cidade. Uma vez no novo local, são transformados em placas e setas que apontam para os novíssimos empreendimentos imobiliários da cidade. O que esses plaqueiros nos revelam sobre o país e a cidade que temos? Quem são, de onde vêm, quanto ganham, como trabalham? O que anunciam com seus corpos de estandarte? Para quem? O que isso nos diz sobre a cidade tornada torre?

Pessoa-coisa, cidade-torre from João e Maria.doc on Vimeo.

SWALLOWS,  de Sofia Bost

Portugal/Reino Unido, 2015, 15’, ficção

Sara trabalha num restaurante em Londres mas não desiste de procurar emprego como designer gráfica. Hoje, depois de mais uma rejeição, a realidade do que a sua vida se tornou é clara. O conflito entre o que ficou em Portugal e a possibilidade de um futuro melhor é maior do que nunca.

Swallows [Trailer] from Portugal Film on Vimeo.

ON IRA À NEUILLY INCHA’ALLAH , de Anna Salzberg e Mehdi Ahoudig

França, 2015, 19’, documentário

Ouvimos a primeira greve dos jovens trabalhadores da Velib, a companhia parisiense de aluguer de bicicletas. Ouvimos como eles aprendem e organizam uma manifestação, com a linguagem da classe operária. Vemos Paris a preto e branco, ao amanhecer com poucas pessoas na rua, um travelling infinito desde os subúrbios até aos escritórios da Velib, em Neuilly.

THE QUEST OF THE LONELY DORYMEN , de Mariana Mendes Delgado + MERCI PATRON, de François Ruffin [estreias]

1 Maio , 18h30, Sala Batalha, com Mariana Mendes Delgado e José Soeiro

THE QUEST OF THE LONELY DORYMEN , de Mariana Mendes Delgado

Portugal, 2016, 10’, experimental

Mariana Mendes Delgado

No vídeo  The Quest of the Lonely Dorymen  evoca-se a alegoria dos solitários pescadores-marinheiros dos dóris. As viagens da Frota Branca à Terra Nova, Labrador e Gronelândia no Canadá entrecruzaram-se com Portugal, na ria de Aveiro e na sua comunidade piscatória. O ambiente cinemático tem, por isso, como fonte principal a água e o sal.

Através de um arquivo de família e de testemunhos anónimos procura-se trazer à visibilidade um discurso imagético, particular, do período do Estado Novo – a Campanha do Bacalhau – que tem sido silenciado ao longo do nosso passado recente.

No filme desenha-se um percurso de errância: respigam-se fragmentos da paisagem da cidade e exploram-se as fragilidades dessa deambulação entre as ruínas do maritimismo português, a decadência industrial, e a pós-memória coletiva do litoral na atualidade.

MERCI PATRON, de François Ruffin

França, 2016, 84 minutos, documentário

François Ruffin

Para a família Klurs nada corre bem: a fábrica que fazia fatos para a Kenzo foi transferida para outro país. Agora desempregados e com dívidas, o casal está prestes a perder a sua casa.

Um dia François Ruffin bate à porta dos Klurs. Será que conseguem lutar contra Bernard Arnault, CEO do maior grupo de empresas de luxo do mundo e o homem mais rico de França?

The Flickering Flame, de Ken Loach

1 Maio,  19h30, Sala Bébé, com Jorge Campos, António Mariano e Estivadores do Porto de Leixões
Reino Unido, 1996,  52′, documentário

Ken Loach

Em 1995, em Liverpool, cerca de 500 estivadores foram despedidos por se recusaram a quebrar a greve por melhores condições de trabalho. A dignidade destes estivadores e das suas mulheres, que resistiram negando-se a ir contra as suas convicções, é um retrato de toda a classe trabalhadora em Inglaterra num momento em que o governo de direita quis retirar direitos conquistados no passado. A câmara eficaz de Ken Loach neste filme, que é um exemplo poderoso de um documentário militante, expõe vários pontos de vista dos diferentes intervenientes nesta luta, incluindo a traição dos dirigentes sindicais aos trabalhadores.

 

Prólogo (visões da Europa) + Roma Cidade Aberta [encerramento]

1 Maio, 21h30, Sala Batalha, com Mário Moutinho e Bárbara Veiga

PRÓLOGO (Visões da Europa), de Béla Tarr

Hungria, 2004, 6’, ficção

Este pequeno filme surgiu de um convite ao realizador húngaro para realizar uma curta sobre a sua visão do seu país em relação à Europa. Béla Tarr faz um retrato da população da Hungria que sofre desde o pós-guerra até aos dias actuais.

 

ROMA, CIDADE ABERTA,  de Roberto Rossellini

Itália, 1945, 103’, ficção

Roma foi declarada “cidade aberta” pelo exército nazi ocupante entre 1943-44 para evitar bombardeamentos aéreos. Em junho de 1944, os aliados – em concreto uma força dos EUA – ocuparam a cidade. Pouco mais de um ano depois, com a cidade ainda em escombros e escassos meses após a rendição da Alemanha que formalmente terminou a II Guerra Mundial na Europa, a 25 de setembro de 1945, estreia “Roma città aperta”, marco fundador do neorrealismo no cinema italiano.

O cenário é a própria cidade, parcialmente destruída. A miséria é exposta e não escondida. O guião, que contou com a participação de Federico Fellini, baseia-se em acontecimentos reais, da resistência italiana à ocupação nazi. Muitos dos intérpretes são cidadãos não-atores, não somente pelo baixo orçamento do filme, mas principalmente cumprindo a essência da nova estética neorrealista. Um contraponto ao cinema celebratório fascista, uma perfeita oposição ao glamour e excesso, à fuga à realidade, da produção cinematográfica contemporânea nos Estados Unidos.

E há a interpretação magistral da magnética e icónica atriz Anna Magnani, cuja personagem é inspirada na real Teresa Gullace, que fixou para a história do cinema a famosa cena da mulher assassinada quando corre para o seu noivo, capturado pelos Nazis.

Otto Preminger disse: «A história do cinema divide-se em duas eras: uma antes e outra depois de Roma città aperta».

O PEQUENO BANDO, de Michel Deville

30 Abril, 11h, Sala Bébé, com Amarante Abramovici
França, 1983,  91 minutos, ficção

Michel Deville

A história de sete crianças inglesas em França que partem à aventura sem dinheiro. No caminho cruzam-se com personagens estranhas, viajantes misteriosos… A sua missão é salvar uma menina francesa e para tal têm de desenhar uma estratégia.

 

LOCKED [the wireless waves of fear], de Fernando José Pereira

30 Abril , 16h,  Sala Bébé  com  Fernando José Pereira

Portugal, 2016, 21′, instalação vídeo

Fernando José Pereira

O vídeo trata da questão do medo como sentimento estrutural. É uma ficção em torno da ideia de estar fechado, preso. Estar fechado, preso e a correspondente ausência de liberdade é a situação descrita neste filme que é constituído por duas partes: a primeira, fora do espaço de prisão e a segunda, dentro, fechado. Nas imagens exteriores, o espectador é confrontado com visões do ambiente do espaço exterior à prisão, da paisagem que constitui a sua vizinhança. Quando as imagens se voltam para dentro, junto com as visões do espaço interior, há um monólogo do personagem (um prisioneiro?) centrado na sua situação: a circunstância genérica de alguém que está privado dos espaços exteriores, dos espaços de liberdade. As várias possibilidades de sobrevivência dentro do espaço circunscrito, fechado e o correspondente sentimento de medo bem como as sensações contínuas e contraditórias de estar zangado e resistir ou, pelo contrário, a frustração da impotência que se encontra sempre presente nestas situações.

25 Outubro + O início + TEN DAYS THAT SHOOK THE WORLD

30 Abril, 17h00, Sala Bébé, com Francisco Louçã

25 DE OUTUBRO – O PRIMEIRO DIA de Yuri Norstein

Rússia, 1968, 8’, documentário experimental

Realizado para comemorar os 50 anos da Revolução Russa, o filme é uma homenagem aos artistas da época: poetas, músicos e pintores. Artistas que foram banidos nos anos 20, na União Soviética, por serem considerados demasiado “formalistas”. 40 anos depois, esta pequena curta-metragem também foi considerada demasiado formalista e “politicamente fraca”. O filme mostra alguns posters políticos que enfatizam promessas que não foram cumpridas por Lenine.

O INÍCIO, de Artavazd Pelechian

Arménia, 1967, 10’, documentário

Um ensaio cinematográfico sobre a Revolução de Outubro de 1917, realizado por um cineasta único, com uma linguagem que não conta histórias, mas que nos leva pela emoção.

A imagem, o som e a montagem criam uma experiência visual original e inesquecível, uma força cinematográfica pura.

 

 

 

 

 

 

TEN DAYS THAT SHOOK THE WORLD de Granada TV

Reino Unido, 1967, 77’, documentário

Um documentário dramatizado realizado pela Granada TV, nos 50 anos da Revolução Russa, que relata os acontecimentos de Outubro de 1917. Narrado por Orson Welles, o filme retrata o processo recorrendo às imagens do filme Outubro de Sergei Eisenstein, realizado em 1927, para comemorar os 10 anos da revolução, onde foram dramatizados e recriados os eventos de 1917.

LE TOMBEAU D’ALEXANDRE , de Chris Marker

30 Abril, 18h30, Sala Batalha, com Fernando Rosas
França, 1993, 120 minutos, documentário

Chris Marker

 

O Alexandre do título é Alexandr Medvedkin, realizador de “Felicidade”, colega de Eisenstein e Vertov. A maior parte dos seus filmes foram censurados por Estaline. Medvedkin é o ponto de partida para Chris Marker revisitar a Rússia revolucionária desde a queda dos Czares até à Perestroika.

A montagem do documentário, num ritmo vertiginoso, joga com imagens da Rússia dos anos 90, entrevistas, arquivos esquecidos, filmes da vanguarda revolucionários, num vai-e-vem que torna o passado que lhe interessa inevitavelmente presente.

O título em inglês, “The Last Bolchevik”, remete para Medvedkin [1900-1989], para a sua vida, as suas convicções e os seus filmes que acompanharam um período de grandes mudanças na sociedade russa.

 

PARA UM FUTURO LIVRE DE PETRÓLEO, do Coletivo Inhabitants

29 Abril, 18h, Sala Batalha, com Pedro Neves Marques
Sessão Curtas e Debate

Inhabitants é um canal de vídeo online, iniciado em 2015, que exibe reportagens documentais em formatos experimentais. Gerido pelos artistas Mariana Silva e Pedro Neves Marques, o canal produz e distribui os seus próprios vídeos de curta duração. Inhabitants colaborou já com a Haus der Kulturen Der Welt e o Max Planck Institute for the History of Science em Berlim e o Museu Coleção Berardo em Lisboa, e encontra-se de momento a colaborar com a Contour8 Biennale of Moving Image na Bélgica. Aberto às práticas de outros artistas e ativistas, produziu e publicou também o vídeo Compost Archive por Filipa César e Louis Henderson.