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Desobedoc de volta de 8 a 10 de Novembro 2024
O Desobedoc nasceu em 2014 com o objetivo de reabrir cinemas no centro da cidade, inspirado pela forma subversiva como o movimento associativo cineclubista do Porto enfrentou 48 anos de ditadura fascista. Nas suas primeiras edições, o festival devolveu ao Porto, ainda que por apenas alguns dias, o Cinema Trindade e o Cinema Batalha – encerrados por muitos anos – mostrando ser possível o seu funcionamento e a existência de um espaço singular de cinema insubmisso, contra o peso do pensamento dominante. O Trindade reabriu entretanto em 2017 e, em 2022, o Batalha. O dinamismo cinéfilo do Porto venceu, contra o encerramento de cinemas históricos vaticinado pelo mercado, que confinava o cinema ao centro comercial. Foi com este espírito que, na última década, se ousou desvelar, conversar e inquietar, uma e outra vez. Em busca de outros cinemas por abrir no País, a itinerância do festival foi reforçada desde 2018, concentrando esforços e recursos para multiplicar e deixar semente em cidades como Bragança, Vila Real, Guimarães, Braga, Covilhã, Coimbra, Évora e Tavira. Em Viseu, foi possível reabrir o cinema Ícaro, dando corpo e alento a um movimento local por uma nova vida para aquele equipamento.
Hoje, em plena encruzilhada de crises e perante tantos desafios globais, reafirmamos a importância do cinema como espaço de resistência e reflexão. Não há momento mais crucial para recordar que o cinema, enquanto arte de massas, é também um repositório de significados coletivos e partilhados, um lugar de encontro e de ação. Os vinte e cinco filmes que compõem este programa são um apelo à desobediência ativa, à consciência crítica coletiva e ao sonho de uma expressão cultural diversa e democrática.
O foco desta edição é a Palestina e o genocídio impossível de ignorar, com tantos filmes e leituras possíveis sobre a história e a resistência do povo palestiniano. Queremos falar de Gaza, cercada e devastada, dos territórios ocupados da Cisjordânia, dos campos de refugiados da Palestina e do Líbano. Em permanente diálogo, convocamos a memória de outras lutas pela libertação: da Palestina ao Sahara Ocidental, passando por Omã, Guiné, Angola e Portugal, o programa é um convite ao testemunho, ao reconhecimento da nossa responsabilidade e uma convocatória à ação, por um mundo mais justo e solidário. Nos 50 anos da revolução de Abril, reafirmamos o direito à autodeterminação de todos os povos. A liberdade será inteira ou não será. Que esta edição nos inspire a agir, desobedecer e construir futuros que resistam ao conformismo e celebrem o poder transformador da cultura.
