23 de Abril 2022

14h30 Sala Miguel Portas

Operação Angola: fugir para lutar de Diana Andringa
Portugal, 2015, 119′

Em Junho de 1961, cerca de 60 estudantes das então colónias portuguesas fugiram clandestinamente de Portugal para escapar à repressão da PIDE, evitar a mobilização militar ou juntar-se aos movimentos de libertação.

Em Junho de 1961, cerca de 60 estudantes das então colónias portuguesas – entre os quais os ex-presidentes de Cabo Verde e Moçambique, Pedro Pires e Joaquim Chissano, e os ex-primeiros-ministros de Angola e Moçambique, Fernando Van Dunen e Pascoal Mocumbi – fugiram clandestinamente de Portugal, onde se encontravam, para escapar à repressão pela polícia política da ditadura portuguesa, a PIDE, evitar a mobilização militar ou juntar-se aos movimentos de libertação.
A fuga coletiva foi levada a cabo com o apoio do Conselho Mundial das Igrejas e a participação ativa de uma organização ecuménica radicada em França, a CIMADE. Foram jovens protestantes norte-americanos que, seguindo diretivas da CIMADE, conduziram os fugitivos de Lisboa, Coimbra e Porto para França, atravessando a Espanha franquista, onde chegaram a ser presos. O documentário Operação Angola – nome de código dado à missão – refez essa viagem, com dois desses protestantes norte-americanos – Charles Roy Harper, Chuck, que os conduziu em Portugal e Bill Nottingham, que os conduziu em Espanha – e o angolano Miguel Hurst, ator e filho de um dos casais participantes na fuga – Jorge e Isabel Hurst – introduzindo, ao longo da viagem, descrições feitas por vários outros fugitivos em entrevistas realizadas em 2011, em Cabo Verde.


18h Sala Miguel Portas

Dom Roberto de Ernesto de Sousa
Portugal, 1962, 102′

A vida miserável de João Barbelas, um sonhador, a quem os miúdos dão alcunha de “Dom Roberto”. Conhece Maria e julga ter arranjado habitação para ambos. Porém João e Maria perdem a casa que nunca fora deles.


21h30 Sala Miguel Portas

Sessão Sarah Maldoror

comentado por Annouchka de Andrade

Monangambé de Sarah Maldoror
Argélia, 1969, 18′

Uma mulher visita o marido na prisão. Ao partir, faz-lhe uma promessa, mas o guarda que os vigia revela os seus segredos ao director da prisão. Por causa de um mal-entendido de linguagem, as personagens serão submetidas a interrogações brutais e lutarão pelas suas vidas. Intitulado “Monangambee!”, um grito angolano que significa “morte branca”, o filme ilustra o medo sentido pelas comunidades que Maldoror representa nesta curta-metragem.

Sambizanga de Sarah Maldoror
França/Angola, 1973, 102′

Estamos em 1961, no início da guerra pela independência angolana. Domingos Xavier é um revolucionário preso por militares portugueses e levado para uma prisão em Sambizanga. A esposa, Maria, procura-o, temendo a tortura ou a morte a que ele possa ter sido sujeito. Um filme que mostra a libertação de Angola pelos olhos de uma mulher.


00h00 Sala Três Marias

Conversa Gisberta a partir de curta

com Kay, Filipe Gaspar entre outres

O teu nome é de Paulo Patrício
Portugal, 2020, 25′

Um olhar sobre o caso do assassinato de Gisberta Salce Jr., transexual, seropositiva, toxicodependente e sem-abrigo que foi violentamente torturada durante vários dias por um grupo de 14 adolescentes no Porto, em 2006. 

Com testemunhos de amigas transexuais de Gisberta, assim como entrevistas inéditas a dois dos envolvidos no caso. Abordando conceitos como memória, violência, condição social, discriminação e identidade de género, “O Teu Nome É” confronta dessa forma diferentes perspectivas e dimensões da condição humana.


00h30 Sala Miguel Portas

Comentado por Manuela Juncal

Memórias de uma falsificadora de Catarina Requeijo
Coprodução com o São Luiz Teatro Municipal e Museu do Aljube Resistência e Liberdade

Portugal, 2021, 60′

Joaquim Horta adapta ao teatro o livro de Margarida Tengarrinha Memórias de Uma Falsificadora – A Luta na Clandestinidade pela Liberdade em Portugal, que conta como a autora usou a sua habilidade de artista plástica e estudante de Belas Artes ao serviço da falsificação de documentos, garantindo o trabalho dos resistentes à ditadura de Salazar. 

O espetáculo faz parte de um ciclo sobre o quotidiano iniciado por Joaquim Horta, em 2016, com a peça Amorzinho, adaptação da correspondência entre um casal anónimo, Maria de Lourdes e Alfredo, de 1934 a 1943, e testemunho único e real da vida dos portugueses comuns nesses anos. A vontade de adaptar Memórias de Uma Falsificadora parte de uma frase escrita por Margarida Tengarrinha no seu livro: “Quando leio relatos de vários camaradas, que já foram publicados, constato que falam de factos políticos importantes, momentos altos e heróicos da luta, mas nunca abordam estas questões do quotidiano que nós, mulheres, vivemos pacientemente. Será que foi menos heróico aquele nosso dia-a-dia desgastante e obscuro?” É pensando num retrato do quotidiano no período entre 1948 a 1974 que o ator e encenador parte para este novo espetáculo, usando as palavras e ideias de Margarida Tengarrinha, que nasceu em Portimão em 1928 e estudou Belas Artes em Lisboa, onde conheceu aquele que haveria de ser o seu companheiro e pai das duas filhas, o pintor José Dias Coelho, membro destacado do Partido Comunista Português. Com ele, trocou uma vida confortável de filha da burguesia pela vida difícil da clandestinidade. A seguir ao 25 de Abril de 1974, foi deputada do PCP, eleita pelo Algarve. Em 2014, pelo seu percurso na área cultural e na defesa dos direitos das mulheres, tornou-se a primeira distinguida com o Prémio Maria Veleda.