Vestígios de Adriana Melo + Vida Activa de Susana Nobre

27 Maio, 21h00, Teatro de Construção [ATC] com Adriana Melo e Adriano Campos

VESTÍGIOS,  de Adriana Melo

Portugal, 2015, 30’, documentário experimental

Desenvolvido a partir de fotografias de arquivo guardadas pelos locais de Arouca, Vestígios pretende dar a conhecer este concelho, num contexto atemporal, ao mesmo tempo que é salientada a importância da fotografia como documento. Não existe muita documentação visual sobre Arouca, sendo a memória mantida apenas através da tradição e da oralidade. As imagens antigas, quase esquecidas, são trazidas de novo à vida, revalorizadas num novo contexto. A memória oral e a tradição são também integradas no projeto através do som, que contribui para uma nova visão das imagens. Ao refotografar imagens de arquivo amadoras guardadas pelos locais elogia-se o facto da memória ser mantida viva através da tradição.
Como contraponto, surge o vazio, o esquecimento, a consequência da falta de preservação de um passado quase esquecido. As ruínas das antigas minas de volfrâmio surgem como um aviso para o futuro, relembrando como o passado pode ser esquecido.

Vida ActivaVIDA ACTIVA,  de Susana Nobre
Portugal, 2013, 92′ documentário

Susana Nobre

O programa Novas Oportunidades foi um programa de educação com uma vertente baseada no reconhecimento e certificação escolar das aprendizagens realizadas fora da escola. Nestas sessões homens e mulheres pensam e discursam sobre a sua trajectória de vida, as condições que determinaram a sua existência e a sua dificuldade em existir. Falam da sua formação, da sua experiência profissional, das suas origens, produzindo uma pluralidade de pontos de vistas sobre a escola, a cidade, o campo, a família, o mundo operário e o universo do emprego. 
Partindo das histórias de vida dos protagonistas, o filme desloca‐se para uma abordagem ensaística sobre o trabalho no mundo contemporâneo.

“Vida Activa(…) condensa em 90 minutos o período que a realizadora passou a trabalhar no programa Novas Oportunidades na zona de Vila Franca de Xira. As múltiplas histórias pessoais que Susana Nobre coleccionou ao longo de meses desenham um retrato designado e triste de vidas suspensas, ao mesmo tempo que reflectem a realidade do desemprego e de uma visão empresarial puramente utilitária que desvaloriza a experiência profissional ganha a pulso. (…) é um filme seco, árido, duro, e é precisamente nessa dureza que se ganha.”
Jorge Mourinha
Jornal Público (25/10/2013)

“O documentário é preenchido por uma sequência de testemunhos, sendo de sublinhar, além do enorme interesse dos relatos e fotos (belíssimo arquivo fotográfico), a riqueza dos receios, dos silêncios, das hesitações, dos corpos em tensão, das faces e mãos marcadas pela vida. É um Portugal há muito silenciado e que, timidamente, sai da sombra. Apesar deste registo quase íntimo, Susana Nobre foge da abordagem biográfica, preferindo apresentar fragmentos da experiência de um conjunto amplo e variado de pessoas, nas diferentes etapas do processo, e tocando temas díspares: a trajectória laboral, um dia na vida dos trabalhadores, os motivos pelos quais abandonaram a escola, a imigração, a formação profissional, os despedimentos, os processos de formação no centro… A própria sequência com que os indivíduos e temas surgem e desaparecem não é óbvia.
Porem aos poucos vai-se entendendo que talvez estejam todos a contar a mesma história, uma narrativa feita de dor e orgulho, sem princípio nem fim, que é a história da classe trabalhadora portuguesa.”
Pedro Abrantes
Le Monde Diplomatique, Edição portuguesa (Novembro, 2013)

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