Leon Hirszman

Leon HirszmanNasceu em Lins de Vasconcelos (Boca do Mato), no Rio de Janeiro, em 22 de novembro de 1937. Foi o primeiro filho de Sura Ryvka e Chaim Josek Hirszman, judeus poloneses foragidos das perseguições anti-semitas na Europa Central. Leon teve duas irmãs, Shirley (1945) e Anita (1947).

O seu pai, inicialmente vendedor ambulante, depois dono da loja de sapatos A formosa, no Ponto 100 Réis de Vila Isabel, gostava de jogar póquer e era comunista de ideias ortodoxas. A mãe praticava o judaísmo ortodoxo.

O menino de sete anos, fascinado com os episódios das séries, pedia ao pai para o levar ao cinema da rua 28 de setembro, onde assistia a duas ou três sessões seguidas. O pai preferia a conversa dos amigos, deixava o menino e pegava-o no fim da jornada.

Um dia, para se livrar da insistência de um vendedor, Chaim (Jaime) comprou um bilhete completo de loteria e ganhou dinheiro suficiente para adquirir e mobilar um apartamento para a família na Tijuca.

Leon fez os primeiros estudos (primário, ginásio) na escola israelita Scholem Aleichem. Sentia, no entanto, maior atração pelo futebol de rua do que pela continuidade das tradições judaicas. Fez o curso colegial (científico) no Instituto Lafayette e frequentou, por exigência materna, a Escola Nacional de Engenharia.

Na faculdade, participou da criação do seu primeiro cineclube. Em 1958, fundou a Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro, que funcionava no MAM, sediado no edifício ABI – Associação Brasileira de Imprensa. “Com a Federação foi possível uma grande discussão cultural. Partimos do princípio que não era só exibir filmes, era necessário fazê-los. E fazer cinema não sob o prisma de uma cultura importada.” Abandonou a engenharia para dedicar-se exclusivamente ao cinema.

Ligou-se ao grupo Teatro de Arena de São Paulo, formado por Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Vianna Filho, que exerceu notável influência na sua formação. Em 1958, participou no Seminário de Dramaturgia que preparou “Revolução na América do Sul”, de Boal, e, em 1959, da montagem de “Chapetuba Futebol Clube”, de Vianinha. Desses encontros surgiu, em 1961, o Centro Popular de Cultura da UNE, que produziu o seu primeiro filme, “Pedreira de São Diogo”.

Em 1965, para evitar a repressão política, refugiou-se no Chile. De volta no ano seguinte, fundou com Marcos Farias a Saga Filmes, que depois de produzir duas longas sobre o cangaço (banditismo rural) foi à falência com as dívidas de “S. Bernardo”, interditado pela censura.

Leon teve intensa participação política como cineasta. Trabalhou pela organização da categoria, pela regulamentação das leis do cinema e pelo fim da censura. Um dos mais ativos militantes do movimento do Cinema Novo, participou também da fundação da Cooperativa Brasileira de Cinema, no início dos anos de 1980.

Dotado de grande cultura geral, admirava Isaac Deutscher, Sartre, Marcuse e Gramsci, sem esquecer o seu autor preferido Bertolt Brecht. Estudou com afinco as teorias de Jung e de Reich. A sua mãe, diante do filho intelectual, afirmava orgulhosa ter sido, quando criança na Polônia, “proprietária de doze livros”.

Guloso como o pai, que em dias de jejum religioso visitava o filho para partilhar um assado de porco, era também supersticioso.

Leon teve três filhos, nascidos de três casamentos: Irma (1963), filha de Norma Pereira Rego; Maria (1966), filha de Liana Aureliano; e João Pedro (1975), filho de Mercedes Pires Fernandes. A sua última companheira, Cláudia Fares Menhem, assistiu-o na doença que o vitimou precocemente.

Em 16 de setembro de 1987, pouco antes de completar cinquenta anos, faleceu na sequencia da debilitação provocada pela SIDA, e foi enterrado sob ritual judaico.

Acabar de concluir o tríptico “Imagens do Inconsciente” e preparava-se para filmas a epopéia de Canudos.

Anúncios

Um pensamento sobre “Leon Hirszman

  1. Pingback: ABC da Greve de Leon Hirszman | Desobedoc 2016

Os comentários estão fechados.