Os Cravos e a Rocha de Luisa Sequeira

Os Cravos e a Rocha
01 Maio, 17h30, Sala Batalha
Documentário, Portugal, 2015
16 minutos
Luísa Sequeira

25 de Abril de 1974, o iconoclasta cineasta brasileiro Glauber Rocha está em Portugal. Entra no filme colectivo da revolução dos cravos, ”As Armas e o Povo”. Com seu olhar estrangeiro e peculiar, rompe com as regras convencionais do se fazer cinema. Passados 40 anos da revolução voltamos à rua.

Os cravos e a Rocha from Luísa Sequeira on Vimeo.

Nesta sessão contaremos com a presença da Luísa Sequeira, do Jorge Campos e do Frederico Lima.

Frederico Lima lançou um livro sobre o realizador Glauber Rocha.

Camara na mão e uma ideia na cabeça

O professor do programa de pós-graduação em História do Brasil da Universidade Federal do Piauí, Dr. Frederico Osanam Amorim Lima, escreveu o livro “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão: Glauber Rocha e a invenção do cinema brasileiro moderno”(Editora Prismas). A obra, sustentada, principalmente, na produção escrita daquele que é considerado, por muitos, o mais importante cineasta do Brasil, procura fazer uma releitura do chamado “cinema brasileiro moderno” apontando os caminhos que tornaram possível a canonização de Glauber Rocha e os filmes que imprimem uma ideia de moderno para o cinema nacional.

O baiano Glauber Rocha, diretor de filmes como “Deus e o diabo na terra do sol” (1964) e “Terra em transe” (1967), além de realizador de uma importante produção cinematográfica, produziu artigos, livros, cartas e apresentou um programa televisivo no final dos anos 1970, que possibilitam descobrir um personagem construído por trás de discursos inflamados, ofensas e autopromoção. O livro procura demonstrar como essa imagem de Glauber Rocha, produto do seu próprio interesse, acabou por capitalizar a produção de trabalhos acadêmicos, filmes e uma grande quantidade de obras que nomeiam o “cinema brasileiro moderno” a partir de uma zona de conforto criada pelo próprio cineasta.

O livro é, portanto, uma tentativa de colocar na ordem do dia a discussão sobre como os diversos agentes culturais – institucionais, intelectuais ou, mesmo, midiáticos – trabalham na construção de personagens sínteses de movimentos e idéias; e como isto acaba por referenciar parte considerável das opiniões sobre estas personalidades.

Próximo dos 50 anos de produção de “Terra em transe”, filme que figura na lista das mais importantes obras cinematográficas do cinema brasileiro, “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” revela os caminhos ardilosos que transformaram os filmes, Glauber Rocha e o próprio cinema brasileiro moderno numa zona de convergências e interesses que sustentam financiamentos e certa tradição cultural cinematográfica no Brasil.

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