Fora da Vida de Filipa Reis e João Miller Guerra

Fora da Vida
01 Maio, 18h00, Sala Batalha
Documentário, Portugal, 2015
35 minutos
Filipa Reis e João Miller Guerra

É um retrato possível de Portugal em 2015. Uma época em que para uns já não há trabalho e para outros já não há tempo livre.

Isabel sai sempre cedo para o trabalho. Monique faz anos, 30, e vai almoçar fora. Miguel já está atrasado e é o seu dia de folga. Percorre um longo percurso para levar o seu filho de volta para casa do avô. O filme centra-se nos momentos de pausa dos seus empregos ou no “fora da vida” do trabalho. Complexas e densas, as suas vidas vão-nos sendo lentamente reveladas.

Notas dos realizadores

Quando estamos a trabalhar, por mais distintas que sejam as tarefas que realizamos, estamos todos a fazer o mesmo, a ganhar dinheiro para o nosso sustento. É durante as horas do dia em que não estamos a trabalhar, que podemos gastar o que ganhamos, que a diferença entre as nossas vidas é mais notória. FORA DA VIDA centra-se neste tempo, o tempo que passamos fora do trabalho.
Tendo como ponto de partida o tema que nos foi lançado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos – viver com o salário mínimo – este filme trata do que está para além do que os nossos personagens fazem para o ganhar. Como se ocupam, Isabel, Monique e Miguel quando não estão a trabalhar? As cenas desenvolvem-se entre estes personagens que se vão cruzando entre eles nas suas actividades de lazer. É através deste tempo que os vamos conhecendo e que nos apercebemos das suas condições sociais, familiares e profissionais. O espaço privado, a entrada na intimidade de cada um deles, as suas relações, a família, tudo isto volta a ser tema e pano de fundo, tal como nos nossos filmes anteriores. Recorrendo a pessoas que retratámos anteriormente, cruzamo-las de forma distinta, de forma a reflectir sobre as suas vidas de maneira mais livre.
Através de uma narrativa cronológica subtil e paralela entre estas três vidas, filmámos o seu confronto diário, semanal e mensal com o pouco dinheiro para o que consideram ser essencial. A montagem tenta evidenciar isto mesmo, este caminho concreto e emocional que os personagens vão trilhando através da superação das dificuldades e que vai num crescendo ao longo do filme para que tudo termine em catarse, num escape momentâneo, fugaz.

Filipa Reis e João Miller Guerra

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