Balada de um Batráquio de Leonor Teles

BALADA DE UM BATRAQUIO 1

29 Abril, 19h30 , Sala Batalha
Documentário, Portugal, 2015
11 Minutos
Leonor Teles

“Simultaneamente estranhos e familiares, distantes e próximos, inquietantes e sedutores, marginais e cosmopolitas, os ciganos apresentam-se envoltos numa aura de ambiguidade. Não se pode dizer que sejam invisíveis, pois dificilmente passam despercebidos.” Daniel Seabra Lopes in Deriva Cigana, 2008

Tal como os ciganos, os sapos de loiça colocados à entrada de casas e estabelecimentos comerciais não passam despercebidos a um olhar mais atento. Este filme consiste num acto interventivo e social contra o significado simbólico e real contido nesses mesmos sapos.

Balada de um Batráquio / Batrachian’s Ballad [Teaser] from Portugal Film on Vimeo.

Nota da Realizadora
BALADA DE UM BATRÁQUIO nasce aquando de uma revelação – a tradição portuguesa de colocar sapos de loiça à entrada de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais para afastar e impedir a frequência de pessoas ciganas. Através da minha história pessoal pretendi chamar a atenção para um comportamento crescente que se aproveita da crença e da superstição como forma de menosprezar e distanciar outros seres humanos. O filme surge então com o pressuposto, talvez ingénuo, de acção, de uma atitude possível de mudança. Procurei dar corpo a um filme enérgico, irónico e irreverente em que o punk entra como elemento contestador e político, mas também estético. Um filme curto, conciso, apelativo e impetuoso como a música punk. Enquanto cineasta, senti que é imperativo tratar o tema com a sinceridade e honestidade que lhe são devidas. Tudo o que foge às regras e ao convencional torna-se quase sempre polémico; como é o caso especifico do que fazemos em BALADA DE UM BATRÁQUIO. Foi preciso partir os sapos. Se não os partisse, se não fizesse nada contra isso, não estaria verdadeiramente a tratar este tema, estaria apenas a dissimulá-lo. O projecto adquiriu ainda uma forte componente experimental, pelo facto de nunca ter abordado um trabalho de uma perspectiva interventiva. Sugiro, portanto, que os espectadores sejam confrontados com a minha imagem enquanto realizadora e pessoa de origem cigana. Não será somente em confrontos desta natureza que se pode surpreender o espectador naquilo que sabe ou julga saber. Há outras formas de o surpreender, como por exemplo contando a verdadeira história que os irmãos Grimm narram nos seus livros de contos, evidenciando que o que realmente faz a princesa transformar o sapo em príncipe não é um beijo mas atirá-lo contra a parede num acto de repulsa. Os sapos, em todos estes casos, serão sempre muito difíceis de engolir.

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