Tarrafal – Memórias do Campo da Morte Lenta de Diana Andringa, 2011

Tarrafal – Memórias do Campo da Morte Lenta
26 de abril, 15h, sala Salgueiro Maia.
88 minutos
Diana Andringa

Diana Andringa entrevista vários dos presos que passaram por esta prisão em Cabo Verde. Entre 1936 e 1954, recebeu antifascistas portugueses; entre 1962 e 1974, sob o signo das lutas anti-coloniais, são ali presos os miliantes de movimentos de libertação africanos. Em torno das recordações dos presos, o documentário conta a história desta colónia penal criada para castigar e eliminar vários daqueles que se opuseram à ditadura e ao colonialismo.

Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta de Diana Andringa, por Miguel Cardina

Em 2010, Diana Andringa aproveitou o Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal, realizado em Cabo Verde, para entrevistar vários dos presos que passaram por essa prisão.

Entre eles, Edmundo Pedro, que ali esteve durante a “primeira vida” do campo, quando entre 1936 e 1954 albergou antifascistas portugueses; e presos dos movimentos de libertação africanos, aí colocados entre 1962 e 1974 na sequência do início das lutas de libertação. Tomando como eixo as recordações dos presos, o documentário conta a história desta colónia penal feita para castigar e eliminar vários daqueles que se decidiram opor à ditadura do Estado Novo e ao colonialismo português.

A dureza do clima, o isolamento da ilha e os castigos constantes transformavam o Tarrafal num lugar de suplício, um “campo da morte lenta”. O filme mostra-nos, porém, como no reverso disso se desencadeavam subtis estratégias de resistência, formas criativas de contornar o medo, pequenas solidariedades que ajudavam a manter o ânimo. Porque, como diz Jaime Schofield a dado passo: “o mais importante não é tentarem matar-nos; o mais importante é a recusa da morte lenta. No Tarrafal reinventamos a vida, sempre”. Num momento em que se completam 40 anos sobre o 25 de Abril, é importante recordar uma faceta particularmente violenta da repressão fascista, frisar o lugar da luta anticolonial no combate à ditadura e pensar, a partir destes testemunhos, o que nos pode esse passado dizer sobre o nosso presente.

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