Januário e a Guerra, de André Ruivo, 2008

Januário e a guerra

25 de Abril, 00h, Sala Zeca Afonso
15 minutos
André Ruivo

Duas nações muito pobres entram em guerra para disputar a linha de fronteira. De todas as aldeias são recrutados os varões, entre eles Januário, um humilde camponês, a personagem principal. Mas os Chefes de Estado Maior das duas nações esquecem-se que não têm munições para fazerem a guerra. Então recorrem às onomatopeias.

Uma guerra feita com os sons das munições, para a qual os exércitos são treinados a cantar e a entoar as onomatopeias auxiliados por bandas locais e professores de canto.
As monções trazem chuva e frio e todos os exércitos ficam afónicos. A guerra termina, sem mortos e só Januário não regressa a casa. Perdido e esfomeado, encontra Santa Zita que o auxilia e lhe dá abrigo e comer transformando velhos almanaques guardados num casebre abandonado em pão, presunto e vinho. Um milagre que não impede Januário de morrer tal é a sofreguidão com que come aquele manjar.
Januário é descoberto anos mais tarde por um pastor e regressa a sua aldeia numa cerimónia fúnebre ficando sepultado numa cripta que o homenageia como sendo o Soldado Desconhecido.
Os almanaques que o sacearam conservam o corpo incorrupto e Januário ressuscita.

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